LANCE! Opina: Divisão das receitas de TV e a valorização das competições

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da pinnacle: O LANCE! publica nessa semana uma série de matérias sobre os direitos de TV, mostrando mais uma vez estar na dianteira do debate dos melhores caminhos para o futebol brasileiro.

A divisão mais igualitária dos direitos de transmissão é sem dúvida um dos mais importantes temas para serem estudados e implementados no Brasil. O atual modelo de negociação individual, desde o fim do Clube dos 13, é um tiro no pé do futebol brasileiro. Definir os valores recebidos da TV com critérios apenas de audiência e tamanho de torcida somente minam o desenvolvendo dos clubes e das competições como um todo.

Pagar muito mais para Corinthians e Flamengo do que para os demais é um erro que foi cometido na Espanha com Real Madrid e Barcelona, que agora tentam corrigir. Infelizmente o modelo atual distancia o valor entre os clubes, o que causa inúmeros malefícios, especialmente na qualidade da competição.

Barça e Real dominam o Espanhol (Foto: Lluis Gene/AFP)

Mercados como a Inglaterra, Alemanha, França e mais recentemente a Itália perceberam como uma divisão mais igualitária dos direitos de TV foi benéfica para as Ligas Domésticas. Os clubes médios e pequenos com mais acesso aos recursos podem investir em times mais competitivos, elevando a qualidade do espetáculo como um todo.

Os mercados europeu e norte-americano já têm décadas de atividades e todas as avaliações já foram realizadas, que comprovam como os direitos de TV são fundamentais no fortalecimento das competições, em termos esportivos e comerciais.

Nos Estados Unidos já está provado que a divisão igual dos valores da TV entre os diferentes times e outros mecanismos como Draft na escolha dos talentos universitários para times mais fracos e o controle salarial foram fundamentais para a valorização das competições. Times da NFL, por exemplo, recebem de forma igual cerca de US$ 150 milhões da Liga pelos contratos de TV por ano. É indiscutível a força da liga de futebol americano, que divide entre os clubes de forma igual também os royalties das vendas de produtos vendidos nas lojas oficias da NFL e os patrocínios fechados pela Liga. Os times que menos faturam geram US$ 250 milhões por ano e com esse trabalho os 32 times somados atingiram um faturamento anual de US$ 9,6 bilhões.

Outro grande exemplo é a Premier League, que acaba de negociar seu novo contrato de direitos de transmissão para as próximas três temporadas a partir de 2016-17, um valor de 5,1 bilhões de libras, ou 1,7 bilhão de libras por ano. Isso representa 70% mais que o triênio anterior. O crescimento impressionante atual é resultado de uma gestão orientada para a valorização da competição como um todo, especialmente globalmente. O maior crescimento nos valores com TV da Liga foi proveniente do mercado internacional.

Mesmo que os times gigantes ingleses sejam os alavancadores das audiências e interesse do torcedor em todo o mundo, a Liga vende os jogos de todos os times. E principalmente garante para todos os clubes uma divisão mais igualitária dos valores da TV. No novo contrato clubes menores que recebiam cerca de 65 milhões de libras passarão a receber 104 milhões de libras.

Entre os que mais recebem o salto será dos atuais 99 milhões de libras por ano, para 158 milhões de libras.

Mais dinheiro faz com que vários clubes possam investir e isso melhora a qualidade da competição. Esse é o modelo dos EUA sendo aplicado no futebol europeu, com êxito. Alguns grandes vão vencer com mais frequência, mas a competição de melhor qualidade mantém a competitividade e grau de interesse desde o início até o fim.

A melhores práticas de divisão de receitas entre times no mundo já foram testadas e comprovadas. A questão é saber se o futebol brasileiro será vanguarda ou continuará apostando no retrocesso atual.

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